Acordar com pressa. Correr para compromissos que você mesmo criou. Chegar cansado demais para pensar. Dormir rolando o feed. Repetir. Essa rotina não é uma emergência. É um mecanismo de fuga.
Vivemos como ratos em um labirinto de tarefas irrelevantes, empilhando conquistas vazias para não encarar o buraco existencial que chamamos de “vida organizada”.
Autossabotagem não é falha. É estratégia. Seu fracasso é mais seguro do que seu sucesso. Porque se você tentar de verdade e conseguir… não vai mais ter desculpa. Nem para o vazio. Nem para a mediocridade.
Quando você sabota sua própria chance de viver
Você que enrola para responder aquele e-mail importante. Que adia o projeto que poderia mudar sua vida. Que evita abrir o boleto, mesmo sabendo o vencimento. Esse teatro de incompetência é atuação profissional.
Spinoza já dizia: “O homem livre é aquele que vive segundo a razão”. Mas você, refém de si mesmo, prefere a escravidão cômoda da autossabotagem. Não há razão onde há medo de ser quem se é.
Quantas oportunidades você destruiu só para manter sua narrativa de fracassado esforçado? Ser a vítima dedicada é mais aceito socialmente do que ser o vencedor incômodo.
Aquilo que você chama de “procrastinação” tem nome
Aquele momento em que você liga a TV antes da entrevista de emprego. Ou quando limpa a casa inteira antes de abrir um PDF que te assusta. Não é falta de foco. É medo de mudar.
Nietzsche diria que você age como escravo do conforto. “Torna-se o que se é”, ele escreveu. Mas isso exige coragem. E você prefere se manter pequeno. Por segurança.
Você escolhe o fracasso porque ele é previsível. E o sucesso exige uma identidade que você não construiu. Ainda.
A síndrome do quase: o prazer de falhar com estilo
O ritual é sempre o mesmo: você estuda, se prepara, chega perto. E então escorrega. No detalhe. No último segundo. E ainda colhe elogios: “pelo menos tentou”.
Kierkegaard chamaria isso de “desespero tranquilo”. Você encena esforço, mas no fundo evita a dor de ter que sustentar o próprio brilho. Fingir que quer é mais fácil do que bancar quem consegue.
Se você vencesse, teria que mudar sua identidade. E você ainda se agarra à zona morta do que já foi.
E se você estiver mentindo para você mesmo?
“Ah, eu não tenho tempo…”. Mentira. “Não estou pronto…”. Desculpa. “Tenho medo de me frustrar…”. Você já está frustrado. Apenas escolheu ser autor da própria derrota.
Acorde: autossabotagem é um pacto secreto com sua mediocridade. E como dizia Sartre: “Somos condenados à liberdade”. Isso inclui o peso de suas escolhas, mesmo as que você finge que não fez.
Você sabe o que está fazendo. E sabe o que deveria fazer. Mas entre o abismo da mudança e a cama quente da autocompaixão, você escolhe dormir.
Se você prefere não mudar, pelo menos pare de mentir
Enquanto você seguir se sabotando com elegância, vai colher empatia e likes. Mas nunca paz. Nunca conquistas. Nunca orgulho.
A autossabotagem é o luxo dos covardes que sabem que podem mais. Mas preferem menos.
“A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.” — Aristóteles
“A liberdade é o fardo de escolher sem garantias.” — Jean-Paul Sartre
Se isso te desestabilizou, ótimo. O despertar nunca é confortável.


